quinta-feira, 12 de março de 2015

Violência na Escola
Patricia Borati17:15 0 comentários

(Foto reprodução do site: http://www.taringa.net/posts/noticias/11194082/Violencia-escolar.html)

 Uma situação que vem se agravando, se multiplicando, cada vez mais, é a violência ocorrente nas escolas. Isso de fato, não pode ser dispensado ou deixado de lado.
Foi-se o tempo onde as brigas eram por uma borracha desaparecida, e chegamos no século XXI com meninas se esbofeteando uma a outra, por causa de ciúmes, a disputa entre gangues com o uso da droga, além dessas atitudes terem se tornado “comuns”, muito pouco é feito para evitá-las ou apartá-las quando estão ocorrendo, algumas pessoas filmam e divulgam, e isso se espalha entre os jovens como algo “legal, descolado”, mas é visto pela sociedade crítica como uma “praga”, uma falta de respeito com o outro.
Existem diversos fatores que contribuem para a formação da ética social de um cidadão/jovem, mas vou priorizar a família, pois é onde se concentra a “essência” da sociedade, é onde o jovem aprende como agir e o que evitar, e se este jovem vive em um ambiente instável, exposto à violência, ao uso de drogas, tende a repetir o que aprendeu, claro que isso não acontece com todos. Todavia, a família não se pode demitir do seu papel e atribuir responsabilidades aos outros agentes educativos na formação dos seus filhos.
Verdade é que a violência é tão presente no dia-a-dia escolar que já não apresenta uma face definida, e já não somos capaz de identificá-la tão facilmente. A mídia tem contribuído, nesse sentido, com sua banalização, visto que divulga produções artísticas em geral, nas quais o “bem” vence o “mau” por meio de batalha física. Vence quem for mais forte fisicamente, aquele que melhor saiba utilizar a força como forma de alcançar a vitória. Deste modo, passamos a ver a violência como forma de resolver conflitos, mesmo que o façamos inconscientemente, e passamos a ignorar a importância do diálogo e do debate civilizado.
Muito se tem discutido acerca da violência escolar que aflige e preocupa muito os profissionais da Educação. Antes vista como característica dos grandes conglomerados urbanos, hoje ela se faz presente no cotidiano escolar e se manifesta de diversas formas, desde a física até a moral. Todavia, a sociedade tem encontrado vários entraves no caminho rumo à solução deste panorama, barreiras estas impostas por um modo de pensar determinista e, muitas vezes, preconceituoso.
Pode-se, portanto, afirmar que a solução do problema não é de fácil alcance, visto que envolve questões ideológicas e culturais muito arraigadas. Contudo, uma medida eficiente seria a aplicação de penas mais rígidas para quem fizesse uso da violência no ambiente escolar em qualquer uma das formas que ela é capaz de assumir, devido ao fato de que a impunidade encoraja, muitas vezes, a prática de atos violentos. Mas somos presos a um sistema regido por um monte de leis que prioriza os “direitos”.
Mas a atitude firme contra a violência deve antecipar-se aos fatos como parte do projeto educativo. Turmas de alunos e novos professores devem ser recebidos a cada ano com um diálogo de compromisso, que apresente e aperfeiçoe as regras de convívio, para que não se desrespeitem os mestres em seu trabalho nem os jovens em seu aprendizado. É necessário desenvolver projetos que mostrem como a intolerância, a injustiça e o preconceito resultam em violência, estabelecer paralelos entre o que se vive na escola e o que se vê fora dela são apenas alguns exemplos de como não fugir dessa difícil questão. Fazer parcerias com a Polícia na busca de programas que possam vir ajudar nessa grande causa.

Sabemos que nenhuma escola é uma ilha, mas parte da sociedade. E no nosso caso essa sociedade tem-se embrutecido de forma espantosa. O roubo, o tráfico, a corrupção, o desrespeito e o preconceito levam a atos violentos e criminosos. Para recompor valores deteriorados e conseguir preparar os jovens para a vida, a escola não pode ignorar a violência em suas próprias práticas e precisa trazer as questões do mundo para a sala de aula.

quarta-feira, 11 de março de 2015

Mercado de Trabalho no Vale
Unknown16:14 0 comentários

(Foto reprodução, fonte: http://www.concursospublico.net/concurso-saerp-de-sao-jose-rio-pardo-sp-2014-vagas-como-se-inscrever-e-edital-completo.html)

A região do vale do Rio Tijucas é fortemente marcada por questões regionalistas e imigratórias, ou seja, os povos que aqui nasceram e cresceram sofreram/sofrem forte influência dos imigrantes que colonizaram as cidades do vale. E com isso, a base principal dos trabalhos ofertados são bastante restritos, onde destacam-se cerâmica de barro vermelho, empresas calçadistas, lavoura, área logista e transporte.
Neste sentido poucos investimentos são realizados dando novas perspectivas aos habitantes das pequenas cidades na região. Acarretando não somente a falta de competitividade em diferentes setores e áreas, como também poucas opções de especializações, cursos, formação de nível superior em cidades próximas.
Os investimentos por parte dos governantes no que diz respeito a empregos e renda, muitas vezes acaba dando margem para pequenas funções, que não exigem grandes expectativas ou formação por parte do profissional.
Então o que a população muitas vezes questiona-se é: por que a região do vale do rio Tijucas desenvolve-se tão lentamente, algumas vezes de forma tão singela que não é perceptível ao longo de anos. Essa questão pode ser diretamente analisada considerando o mercado de trabalho ofertado e qual o seu desenvolvimento.
Nota-se que, por exemplo, na cidade de Canelinha muito conhecida como cidade das cerâmicas, hoje já não está tão fortemente direcionada a produção somente de cerâmica de construção civil, mas também outras áreas da cerâmica e confecção vem tomando novos espaços, o que caracteriza a falta de planejamento estrutural para o futuro, não há uma continuidade significativa da cerâmica como antigamente existia, com isso diminuíram também os profissionais autônomos com seus transportes de cargas. O que é possível observar é que a falta de planejamento administrativa da maioria das empresas e locais de emprego, não possuem uma visão ou metas definidas, deixando o mercado de trabalho restrito a poucas oportunidades, assim a população acaba buscando novos campos de trabalhos em outros lugares, muitas vezes migram para outros locais.
O mesmo pode se dizer da cidade de São João Batista que já foi a capital do calçado em SC e reconhecida nacionalmente. A grande era calçadista já não é tão amplamente difundida na cidade, outros ramos acabaram sendo criados e o mercado mudou bastante, claramente ainda é um dos mais influentes negócios e gerador de empregos, mas com poucas perspectivas de crescimento profissional, pois não existem cargos suficientes para pessoas com especializações ou formações em níveis de ensino superior.
A pouca oferta de bos vagas de emprego na região, cria espaço para pequenos cargos, fazendo com que os habitantes precisem migrar e também desenvolvendo a cultura migratória, recebendo constantemente um número expressivo de imigrantes de outras cidades e estados em busca destas pequenas vagas.
Como lidar com essa constante dificuldade de empregos que atinge todo o país, mas que em Santa Catarina possui um índice elevado de oferta de trabalho? Porém, como encontrar e conseguir progredir em um bom emprego em cidades pequenas como é o caso das cidades que compõem o vale?

Seria esta uma questão a ser melhor discutida e tratada por nossos governantes? Qual a perspectiva de desenvolvimento de um lugar sem expectativa de trabalho progressivo? Fica aqui essas indagações que certamente se fossem amplamente comentadas e debatidas por toda nossa sociedade, contribuiriam para o progresso social de nossa região.

E a educação? Como fica? - A face oculta por trás dos atuais docentes
Ana ☺15:38 0 comentários

 No contexto educacional acredita-se sempre que docentes e funcionários da educação estão verdadeiramente envolvidos com o lema: educar. Mas, a verdade é que, nem sempre quem ocupa o cargo e função de professor realmente seja um.
A que ponto chega um governo, município e gestão escolar para que debite sua confiança em pessoas sem formação, sem experiência, sem domínio de classe, sem ao menos entender do que deve ser realizado ou como deve ser realizado? Em que parte da história partiu-se do princípio de que ser professor é bom, pois ganha-se bem e não se faz nada?
Existe certamente muitas visões e opiniões sobre os casos de professores com especialização, mas que não dominam suas turmas, ou que não são eficientes o suficiente. Ou até partir da ideia que na atualidade não hajam mais pessoas interessadas em lecionar, por isso o mercado é escasso e exista o famoso “tapa buracos” para preencher a vaga de docente.
Porém, a questão da valorização faz com que docentes de verdade, busquem novos locais de trabalho para exercerem a função primordial na sociedade, a de educar. E assim, cabem aos espaços, escolas, e secretarias, abrirem suas portas aos editais de chamada pública, onde o critério e seleção acaba por ser vago ou quase inexistente.
A situação é alarmante.
Foto Reprodução. Fonte: http://portal.educacao.rs.gov.br/Main/Home/Index/
Parte-se da seguinte ideia, quando se tem filhos nas escolas públicas existe a preocupação com o comportamento do público escolar, localização da escola, quais históricos de problemas que já ocorreram, e por fim, procura-se saber quem são os profissionais que desempenham a função docente. Porém, nem sempre é o diferencial para a escolha de uma escola.
As questões primordiais são: quem coordena estes docentes sem formação alguma? Quem fiscaliza sua atuação em sala, quem garante aos pais que podem ficar tranquilos quanto ao que é oportunizado em sala de aula?
O que se vê acontecendo é uma transgressão de valores e responsabilidades, como pode-se exigir de um estudante que ele siga sua vida escolar de maneira exemplar, que o mesmo mantenha seus estudos em altos níveis de graduação, se quando o que têm na escola muitas vezes é oportunizado não por um professor, e sim um ex aluno do ensino médio?
A educação pede socorro em diferentes níveis e lugares no Brasil. De nada adianta um prédio escolar com boa estrutura, material de qualidade, acervos de livros e espaços digitais, se quem oportunizará o contato dos estudantes com tudo isto, não sabe nem por onde começar.
A formação escolar é fundamental para a vida social do ser humano, na escola ele passa a maior parte do seu dia, praticamente mais de 10 anos de sua vida são dedicados aos estudos, na esperança de dias melhores no futuro, portanto é sim fundamental que a pessoa que esteja de frente a este ser, esteja devidamente preparada para atuar como entusiasta do saber, despertando no estudante o espírito crítico e inovador.
Quem acompanha de perto o processo educacional, tem a visão de que o docente muitas vezes mesmo estando formado, habilitado, ainda não possui subsídios suficientes para exercer sua função. Demonstrando insegurança em sala, não apresentando uma postura adequada ou proporcionando o conteúdo didático.
Em janeiro de 2015 O Diário Expresso publicou o resultado de uma avaliação de docentes onde 20% apresentaram cinco ou mais erros ortográficos. No relatório de análise aos resultados, o IAVE dá alguns detalhes sobre a prestação dos candidatos no último exercício do teste e que consiste na redação de um texto com um mínimo de 150 palavras. Os resultados não foram animadores. A média obtida pelos professores foi de 10 (numa escala até 20). Apenas 35% não tiveram nenhum erro ortográfico e 20% tiveram cinco ou mais erros. Os erros de pontuação são igualmente frequentes.
Diante deste e tantos outros noticiários sobre o desempenho docente em suas áreas é cumulativo as falhas do sistema de ensino, tanto no ensino básico quanto no ensino superior, ou seja, mesmo que os docentes passem por uma formação em universidades ou até em outros níveis como especialização, ainda apresentam deficit em algumas questões de sua profissão, o que não tão era visível nas décadas passadas.
Agora se, os profissionais com formação e habilitação para lecionar possuem seus pontos fracos e dificuldades nas práticas pedagógicas, imagina-se como são os chamados “professores temporários” selecionados sem critérios ou supervisão.
Em nossa região, é bastante comum no meio educacional questionar-se em uma conversa ou outra, quem é aquele professor? Ele é formado? Muitas vezes suas deficiências como profissional da educação são tao discrepantes que não é possível compreender como o mesmo conseguiu chegar até ali, como pode estar ocupando o cargo.
O novo lema do Governo Federal é: “Brasil, pátria educadora”. Mas, onde acontece essa educação? Nas escolas de rede pública definitivamente não é.
Toda conjuntura salarial, questões sociais que envolvem o público estudantil, estrutura escolar e formação docente faz o cenário educacional do sistema brasileiro ser uma verdadeira bagunça.
Mas, é principalmente inadmissível que pessoas sem habilitação ou experiência alguma atuem em sala de aula. Até porque de acordo com a LDB artigo 85º professores habilitados podem exigir concurso quando existe uma vaga ocupada por professor não habilitado há mais de 6 anos. Complementando ainda que no artigo 87º § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço.
Portanto, senhores governantes e responsáveis pelos setores e secretarias de educação de nossa região, não sejam condizentes com um futuro incerto, proporcionando uma educação sem perspectivas e qualidade, aos nossos estudantes, por questões meramente políticas e troca de favores, educação é coisa séria.
Estamos de olho!

Referências

LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC, 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 10 Mar. 2015.

LEIRIA, Isabel. Um terço dos professores chumbou na prova de avaliação. Publicado em: 26 de Janeiro de 2015. Jornal Semanário e Diário Expresso. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/um-terco-dos-professores-chumbou-na-prova-de-avaliacao=f908154>. Acesso em: 10 Mar. 2015