No contexto educacional acredita-se sempre que docentes e funcionários da educação estão verdadeiramente envolvidos com o lema: educar. Mas, a verdade é que, nem sempre quem ocupa o cargo e função de professor realmente seja um.
A que ponto chega um governo, município e gestão escolar para que debite sua confiança em pessoas sem formação, sem experiência, sem domínio de classe, sem ao menos entender do que deve ser realizado ou como deve ser realizado? Em que parte da história partiu-se do princípio de que ser professor é bom, pois ganha-se bem e não se faz nada?
Existe certamente muitas visões e opiniões sobre os casos de professores com especialização, mas que não dominam suas turmas, ou que não são eficientes o suficiente. Ou até partir da ideia que na atualidade não hajam mais pessoas interessadas em lecionar, por isso o mercado é escasso e exista o famoso “tapa buracos” para preencher a vaga de docente.
Porém, a questão da valorização faz com que docentes de verdade, busquem novos locais de trabalho para exercerem a função primordial na sociedade, a de educar. E assim, cabem aos espaços, escolas, e secretarias, abrirem suas portas aos editais de chamada pública, onde o critério e seleção acaba por ser vago ou quase inexistente.
A situação é alarmante.
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| Foto Reprodução. Fonte: http://portal.educacao.rs.gov.br/Main/Home/Index/ |
As questões primordiais são: quem coordena estes docentes sem formação alguma? Quem fiscaliza sua atuação em sala, quem garante aos pais que podem ficar tranquilos quanto ao que é oportunizado em sala de aula?
O que se vê acontecendo é uma transgressão de valores e responsabilidades, como pode-se exigir de um estudante que ele siga sua vida escolar de maneira exemplar, que o mesmo mantenha seus estudos em altos níveis de graduação, se quando o que têm na escola muitas vezes é oportunizado não por um professor, e sim um ex aluno do ensino médio?
A educação pede socorro em diferentes níveis e lugares no Brasil. De nada adianta um prédio escolar com boa estrutura, material de qualidade, acervos de livros e espaços digitais, se quem oportunizará o contato dos estudantes com tudo isto, não sabe nem por onde começar.
A formação escolar é fundamental para a vida social do ser humano, na escola ele passa a maior parte do seu dia, praticamente mais de 10 anos de sua vida são dedicados aos estudos, na esperança de dias melhores no futuro, portanto é sim fundamental que a pessoa que esteja de frente a este ser, esteja devidamente preparada para atuar como entusiasta do saber, despertando no estudante o espírito crítico e inovador.
Quem acompanha de perto o processo educacional, tem a visão de que o docente muitas vezes mesmo estando formado, habilitado, ainda não possui subsídios suficientes para exercer sua função. Demonstrando insegurança em sala, não apresentando uma postura adequada ou proporcionando o conteúdo didático.
Em janeiro de 2015 O Diário Expresso publicou o resultado de uma avaliação de docentes onde 20% apresentaram cinco ou mais erros ortográficos. No relatório de análise aos resultados, o IAVE dá alguns detalhes sobre a prestação dos candidatos no último exercício do teste e que consiste na redação de um texto com um mínimo de 150 palavras. Os resultados não foram animadores. A média obtida pelos professores foi de 10 (numa escala até 20). Apenas 35% não tiveram nenhum erro ortográfico e 20% tiveram cinco ou mais erros. Os erros de pontuação são igualmente frequentes.
Diante deste e tantos outros noticiários sobre o desempenho docente em suas áreas é cumulativo as falhas do sistema de ensino, tanto no ensino básico quanto no ensino superior, ou seja, mesmo que os docentes passem por uma formação em universidades ou até em outros níveis como especialização, ainda apresentam deficit em algumas questões de sua profissão, o que não tão era visível nas décadas passadas.
Agora se, os profissionais com formação e habilitação para lecionar possuem seus pontos fracos e dificuldades nas práticas pedagógicas, imagina-se como são os chamados “professores temporários” selecionados sem critérios ou supervisão.
Em nossa região, é bastante comum no meio educacional questionar-se em uma conversa ou outra, quem é aquele professor? Ele é formado? Muitas vezes suas deficiências como profissional da educação são tao discrepantes que não é possível compreender como o mesmo conseguiu chegar até ali, como pode estar ocupando o cargo.
O novo lema do Governo Federal é: “Brasil, pátria educadora”. Mas, onde acontece essa educação? Nas escolas de rede pública definitivamente não é.
Toda conjuntura salarial, questões sociais que envolvem o público estudantil, estrutura escolar e formação docente faz o cenário educacional do sistema brasileiro ser uma verdadeira bagunça.
Mas, é principalmente inadmissível que pessoas sem habilitação ou experiência alguma atuem em sala de aula. Até porque de acordo com a LDB artigo 85º professores habilitados podem exigir concurso quando existe uma vaga ocupada por professor não habilitado há mais de 6 anos. Complementando ainda que no artigo 87º § 4º Até o fim da Década da Educação somente serão admitidos professores habilitados em nível superior ou formados por treinamento em serviço.
Portanto, senhores governantes e responsáveis pelos setores e secretarias de educação de nossa região, não sejam condizentes com um futuro incerto, proporcionando uma educação sem perspectivas e qualidade, aos nossos estudantes, por questões meramente políticas e troca de favores, educação é coisa séria.
Estamos de olho!
Referências
LDB – Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional: Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996. Brasília: MEC, 1996. Disponível em: <http://portal.mec.gov.br/arquivos/pdf/ldb.pdf>. Acesso em: 10 Mar. 2015.
LEIRIA, Isabel. Um terço dos professores chumbou na prova de avaliação. Publicado em: 26 de Janeiro de 2015. Jornal Semanário e Diário Expresso. Disponível em: <http://expresso.sapo.pt/um-terco-dos-professores-chumbou-na-prova-de-avaliacao=f908154>. Acesso em: 10 Mar. 2015


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